Após a globalização e sua relativa aceleração na interação cultural global, onde grandes marcas ocupam os continentes, levando além de produtos, idéias e posicionamento social frente os indivíduos, o mundo como conhecíamos desapareceu. As barreiras sociais, étnicas e culturais foram ultrapassadas, e nem mesmo a China e seu totalitarismo resistiram ao capitalismo e seu fascínio. Praticamente em qualquer lugar deste planeta em que as pessoas possam se comunicar sem lanças ou tanques existe um estabelecimento da McDonald's, em contrapartida a Nike não possui mais fábrica no seu país de origem, e a Coca-Cola é mais famosa do que John Lennon. Entendendo que cada um de nós, vive experiências que nos tornam exatamente as pessoas que somos nada mais acontece por acaso. Estamos realmente sendo o resultado que o meio proporciona, por isso não se assuste se de repente você acordar algum dia ouvindo alguma melodia estranha ao seu repertório. Também não precisa pânico acaso descubra que suas roupas, hábitos e preferências mudam a cada mês. Somos as vitimas da vez. Pobres prisioneiros da cultura mais pop de todos os tempos. E leia pop no sentido exclusivamente norte-americano. Essa idéia de querer fazer ranking pra tudo que existe, acaba sensibilizando muitas mentes. O conceito do “Melhor” passou a ter novos paradigmas, e no mundo atual o melhor é o que mais vendeu, é o mais famoso, o mais caro e o mais bonito. Ou seja, agora temos súmulas vinculantes que nos obrigam a seguir o que a coletividade aclamou. Sendo assim, considere-se um sobrevivente se acaso você ainda goste de José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Luiz Gonzaga, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Jessier Quirino, Chico Pedrosa e tantos outros, membros culturais das minhas experiências. Talvez apenas bons para mim, talvez desconhecidos para muitos. Porém únicos, sem comparações. E sobrevivente em nada se ralaciona com bom ou ruim, não sou melhor ou pior por gostar de A ou B. Apenas sinto saudade do tempo que cada um de nós gostava de algo por vontade própria.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
ABBA Gold: Greatest Hits
Como de costume ótimas surpresas acontecem inesperadamente. Alguns meses atrás por intermédio do pai da minha namorada, Seu Edmilson, conheci o grupo sueco ABBA, do qual ele é fã e guarda praticamente escondido a coletânea em DVD com os maiores sucessos. Inclusive me pergunto até hoje o porque de tão tardia descoberta, apesar de vagamente ter escutado Dancing Queen um dos maiores sucessos do grupo e que teria sido elaborado em homenagem ao casamento da futura Rainha Silvia da Suécia. Além de ter tido outra interpretação no filme Miss Simpatia com Sandra Bullock, que repetidas vezes passa no SBT nas noites de sábado e que me faz recordar minha querida Guarabira e seus monótonos finais de semana. Após aquele dia, resolvi procurar na internet músicas, fotos, história e etc. E apesar de apenas 10 anos de atividade o ABBA vendeu mais de 350 milhões de discos em todo mundo. Formado pelas duas esplêndidas cantoras Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad e pelos excelentes músicos e compositores Björn Ulveaus e Benny Andersson pouco se apresentaram ao redor do mundo. Uma forma de compesar a falta de shows fora da Suécia foi a gravação de vários vídeo-clips que até hoje fazem sucesso. Outro ponto fundamental é a nitidez nas canções, um inglês pra norte-americano ver. Quanto a surpresa será uma das que jamais esquecerei.
Poesia - Augusto dos Anjos
Vandalismo
(Augusto dos Anjos)
(Augusto dos Anjos)
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos.
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos.
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Sinceridade ou Morte
O cidadão do Rio de Janeiro realmente está em uma situação complicada, as autoridades após anos de descaso resolveram intervir e combater a criminalidade nos morros fluminenses. Em represália, fogo nos carros. E quem não é autoridade nem criminoso, como fica na história? Só resta pedir que seu carro seja poupado. "Seu criminoso por bondade, peço que poupe o meu carro, preciso dele para trabalhar. Rogo por sua gentileza em entender, obrigado" - Assinado: Cidadão que paga imposto, que trabalha, que cumpre as regras legais e éticas. Como diria Marisa Monte: Rir pra não chorar.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Filme - O amor nos tempos do cólera
Após um bom tempo da leitura do livro O amor nos tempo do cólera, de Grabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura, consegui assistir o filme homônimo. E apesar de já ter assistido vários filmes baseados em obras literárias, nunca consegui me decidir se sou favorável ou não a filmagens de grandes clássicos, bem como se devo assistir e adquirir uma visão diferente ou permanecer com minhas fantasias inabaladas. Apesar de convir que sintetizar em um curto espaço de tempo obras tão densas não é tarefa das mais fáceis. Por outro lado mudar o enredo para se adaptar ao cinema também não convém, apesar de Os Miseráveis, o filme, ter melhorado bastante a célebre história de Victor Hugo. Voltando ao filme inicial, me surpreendeu encontrar Fernanda Montenegro no elenco ao lado de Javier Bardem em uma interpretação majestosa. A direção de arte e os figurinos são primorosos, e retratam com requinte um período que engloba o final do século XIX e o começo do século XX. A maquiagem e o processo de envelhecimento dos personagens também são bons, principalmente do personagem principal Florentino Ariza interpretado por Bardem. Resumindo um filme muito bom para quem leu o livro, embora não tenha feito o sucesso esperado. Fica a dica.
O amor e suas mazelas
Amar e ser amado, talvez seja a missão mais complicada nesta nova temporada em que o universo muda de lugar constantemente. Antigamente todos os valores já estavam pré-estabelecidos em qualquer relacionamento. As mulheres eram boas donas de casa, boas mães, sensatas e equilibradas. Os homens, bons homens dentro do padrão mínimo exigido pela sociedade. E a sociedade era sociável. Atualmente, vivemos dias de progresso, de igualdade e liberdade. A equação do amor correspondido tem encontrado novas variantes, seja por opção ou pela facilidade de locomoção entre mundos diferentes. O certo é que se você encontrou sua cara-metade, agradeça ao plano divino, com tantos caminhos e possibilidades somente o destino após várias preces seria capaz de tocar o coração de Santo Expedito. E ao contrário do que você possa estar imaginando não se trata do santo casamenteiro, afinal de contas a exigência amorosa estar em um patamar que somente um santo guerreiro acostumado em causas impossíveis poderia resolver. As mulheres com toda justiça desfrutam de outros ares, são mais corajosas, mais independentes sentimentalmente e por conseqüência, necessitam que o homem seja cada vez mais perfeito, romântico e ao mesmo tempo forte, inteligente e muitas vezes engraçado, sutil e determinado, bem sucedido e destemido. Os homens em contrapartida ameaçados em seu reino patriarcal tentam se adaptar a estas novas mulheres, na esperança vã de ainda encontrar a Amélia de outrora. E o amor que na visão de Platão é uma busca do que não se possui, tornou-se item desnecessário diante destes novos seres, que estão subtraindo na intenção de multiplicar. Diante de tantos problemas e diferenças, encontrar alguém que corresponda a todos os nossos anseios se tornou um tratado de guerra. No entanto, se você ainda procura o príncipe encantado ou a princesa adormecida, não precisa desespero, entenda que o amor é sorrateiro e na mesma proporção em que se esconde também bate a porta, magoa e conforta, se faz presente e vai embora. Por isso encontrar e cultivá-lo é tão complicado, nunca se estar preparado, apesar de sempre estar atento.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
O pior cego...
Após ouvir Ricardo Teixeira (Presidente da CBF) e Carlos Arthur Nuzman (Presidente do Comitê Organizador da Olimpíada de 2016 e do Comitê Olímpico Brasileiro) afirmarem que acreditam totalmente na segurança organizada à base de esforços das três esferas governamentais, para os próximos eventos esportivos; pude enfim respirar aliviado diante dos últimos acontecimentos no Rio de Janeiro. Afinal de contas, esses dois senhores sensatos, conhecem bem a criminalidade e seus paradigmas, ou melhor, e suas empreiteiras. E sensato nada tem a ver com a notícia veiculada nos últimos dias em diversos canais de imprensa em que Ricardo Teixeira, atuando como pessoa física, é sócio da Confederação Brasileira de Futebol – CBF, (entidade a qual é presidente – ou dono) para formação do Comitê Organizador Local para a Copa de 2014, o COL.
O contrato social registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro prevê, divisão das cotas de participação na sociedade em 99,99% a CBF e 0,01% a Ricardo Teixeira. Prevê ainda, em seu parágrafo 1º, apesar das divisões, que, o sócio Ricardo Teixeira poderá decidir e endereçar eventuais lucros provenientes da Copa 2014 da maneira que bem entender. E entendendo-se que a copa terá um custo de 17 bilhões, entenda também como puder. Bem como sensato nada tem a ver com a intenção de Nuzman aumentar de forma exagerada a lista de restrições aos símbolos olímpicos, proibindo a utilização, mesmo que claramente não comercial, de termos como Olimpíadas e Jogos Olímpicos, a não ser com autorização expressa do COB e pagamento de royalties. Levada ao pé da letra, a restrição proposta do Nuzman poderia proibir mesmo a realização de Jogos Olímpicos escolares ou a já tradicional Olimpíada de Matemática. Além disso, o presidente do COB estenderia a lista de palavras restritas, incluindo termos como "Rio", "Rio de Janeiro", "2016" e até "medalhas" e "patrocinador". Ainda bem que o Senado Federal usou a sensatez e vetou tal projeto Nuzmaniano. Sem falar claro que esses senhores a mais de duas décadas não permitem que a democracia se faça presente nestas entidades. Agora me diga, num Brasil que precisa de infra-estrutura, de segurança, saúde, educação, de moradia digna, e políticos honestos, de que serve uma Copa e uma Olimpíada, senão ao interesse de poucos, bem poucos. E viva o Rio e seus pequenos problemas sociais.
O contrato social registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro prevê, divisão das cotas de participação na sociedade em 99,99% a CBF e 0,01% a Ricardo Teixeira. Prevê ainda, em seu parágrafo 1º, apesar das divisões, que, o sócio Ricardo Teixeira poderá decidir e endereçar eventuais lucros provenientes da Copa 2014 da maneira que bem entender. E entendendo-se que a copa terá um custo de 17 bilhões, entenda também como puder. Bem como sensato nada tem a ver com a intenção de Nuzman aumentar de forma exagerada a lista de restrições aos símbolos olímpicos, proibindo a utilização, mesmo que claramente não comercial, de termos como Olimpíadas e Jogos Olímpicos, a não ser com autorização expressa do COB e pagamento de royalties. Levada ao pé da letra, a restrição proposta do Nuzman poderia proibir mesmo a realização de Jogos Olímpicos escolares ou a já tradicional Olimpíada de Matemática. Além disso, o presidente do COB estenderia a lista de palavras restritas, incluindo termos como "Rio", "Rio de Janeiro", "2016" e até "medalhas" e "patrocinador". Ainda bem que o Senado Federal usou a sensatez e vetou tal projeto Nuzmaniano. Sem falar claro que esses senhores a mais de duas décadas não permitem que a democracia se faça presente nestas entidades. Agora me diga, num Brasil que precisa de infra-estrutura, de segurança, saúde, educação, de moradia digna, e políticos honestos, de que serve uma Copa e uma Olimpíada, senão ao interesse de poucos, bem poucos. E viva o Rio e seus pequenos problemas sociais.
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