Ainda no embalo da Poesia Matuta, Val Patriota declama majistralmente Zé da Luz
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Carta a Papai Noel
Luiz Campos
Seu moço eu fui um garoto,
Infeliz na minha infança,
Eu sube que fui criança,
Mas pela boca dos ôto,
Só binquei cum os gafanhoto,
Qui achava no tabuleiro,
Debaixo do juazeiro,
Cum minhas vaca de osso,
Essas catrevage seu moço,
Que se arranja sem dinheiro.
Quando eu via um gurizim,
Brincando de velocipe,
De caminhão e de jeep,
Bola, revóver e carrim,
Sentia dentro de mim,
Desgosto qui dava medo,
Ficava chupando o dedo,
Chorava o resto do dia,
Só pruque eu num pudia,
Pegar naqueles brinquedo.
E preguntei uma vez,
A uns fio dum doutor,
Diga fazendo favor,
Quem dá isso a vocês?
Me arrespondeu logo uns três,
_Isso aqui é os presente,
Que a gente é inocente,
Vai drumir, as vez nem nota,
Papai Noé vem e bota,
Perto do berço da gente!
Fiquei naquilo pensando,
Inté o natá chegar,
E na noite de natá,
Eu fui drumir me alembrando,
Acordei, fiquei caçando,
Por onde eu tava deitado,
Seu moço eu fui enganado,
Que de presente o que tinha,
Era de mijo uma poçinha,
Que eu mesmo tinha botado.
Saí com a bixiga preta,
Caçando os amigo meu,
Quando eles mostraram a eu,
Caminhão, carro, carreta,
Bola, revólver, corneta,
E trem elétrico inté,
Boneca, máquina de pé,
Mas num brinquei só fiz ver,
E resolvi escrever,
Uma carta a Papai Noé.
"Papai Noè é pecado,
Os outro lhe martratá,
Mas eu vou lhe arrecramá,
Uns troço qui ta errado,
Qui aos fio do deputado,
O sinhô dá tanto carrim,
Mas o sinhô é muito rim,
Que lá im casa num vai,
Pro certo num é meu pai,
Que num se alembra de mim!?
Eu já to certo qui você,
Só balança o povo seu,
E um pobre qui nem eu,
Você vê, faz qui num vê,
E se vê num sei purque,
Que aqui im casa num vem?
O ranchim a gente tem,
É pequeno, mas lhe cabe,
Pru certo você num sabe,
Que pobre é gente também?
Você de roupa incarnada,
Colorida, bonitinha,
Nunca arreparou que a minha,
Já tá toda remendada,
Seja mais meu camarada,
Pra eu não lhe chamar de rim,
Para o ano faça assim,
Dê meno pos fi dos rico,
De cada um tire um tico,
E traga um presente pra mim.
Meu endereço eu vou dá,
Da casa que eu moro nela,
Que eu moro numa favela,
Que o sinhô nunca foi lá,
Mas quando o sinhô chegá,
Que avistá uma palhoça,
Coberta com uma lona grossa,
E dois buraco bem grande,
Uma porta véia de frande,
Pode bater que é a nossa.
Seu moço eu fui um garoto,
Infeliz na minha infança,
Eu sube que fui criança,
Mas pela boca dos ôto,
Só binquei cum os gafanhoto,
Qui achava no tabuleiro,
Debaixo do juazeiro,
Cum minhas vaca de osso,
Essas catrevage seu moço,
Que se arranja sem dinheiro.
Quando eu via um gurizim,
Brincando de velocipe,
De caminhão e de jeep,
Bola, revóver e carrim,
Sentia dentro de mim,
Desgosto qui dava medo,
Ficava chupando o dedo,
Chorava o resto do dia,
Só pruque eu num pudia,
Pegar naqueles brinquedo.
E preguntei uma vez,
A uns fio dum doutor,
Diga fazendo favor,
Quem dá isso a vocês?
Me arrespondeu logo uns três,
_Isso aqui é os presente,
Que a gente é inocente,
Vai drumir, as vez nem nota,
Papai Noé vem e bota,
Perto do berço da gente!
Fiquei naquilo pensando,
Inté o natá chegar,
E na noite de natá,
Eu fui drumir me alembrando,
Acordei, fiquei caçando,
Por onde eu tava deitado,
Seu moço eu fui enganado,
Que de presente o que tinha,
Era de mijo uma poçinha,
Que eu mesmo tinha botado.
Saí com a bixiga preta,
Caçando os amigo meu,
Quando eles mostraram a eu,
Caminhão, carro, carreta,
Bola, revólver, corneta,
E trem elétrico inté,
Boneca, máquina de pé,
Mas num brinquei só fiz ver,
E resolvi escrever,
Uma carta a Papai Noé.
"Papai Noè é pecado,
Os outro lhe martratá,
Mas eu vou lhe arrecramá,
Uns troço qui ta errado,
Qui aos fio do deputado,
O sinhô dá tanto carrim,
Mas o sinhô é muito rim,
Que lá im casa num vai,
Pro certo num é meu pai,
Que num se alembra de mim!?
Eu já to certo qui você,
Só balança o povo seu,
E um pobre qui nem eu,
Você vê, faz qui num vê,
E se vê num sei purque,
Que aqui im casa num vem?
O ranchim a gente tem,
É pequeno, mas lhe cabe,
Pru certo você num sabe,
Que pobre é gente também?
Você de roupa incarnada,
Colorida, bonitinha,
Nunca arreparou que a minha,
Já tá toda remendada,
Seja mais meu camarada,
Pra eu não lhe chamar de rim,
Para o ano faça assim,
Dê meno pos fi dos rico,
De cada um tire um tico,
E traga um presente pra mim.
Meu endereço eu vou dá,
Da casa que eu moro nela,
Que eu moro numa favela,
Que o sinhô nunca foi lá,
Mas quando o sinhô chegá,
Que avistá uma palhoça,
Coberta com uma lona grossa,
E dois buraco bem grande,
Uma porta véia de frande,
Pode bater que é a nossa.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Paulo Matricó
Primeiro Cd de Paulo Matricó, conterrâneo pajeuzeiro de Tabira. Obra Prima difícil de encontrar. Se tem algum comentário a ser feito é o de ser simplesmente perfeito. Um agradecimento especial ao Poeta Jairo que sempre entoa no violão muitíssimo bem todas as vezes que paramos pra beber e escutar músicA em sua essência. Download clicando no imagem.
Música: Cabelo de Milho
Grandiosidade sem tamanho,
menestrel da cultura nordestina.
Comparado somente a si mesmo
por ser único.
Viva Sivuca
menestrel da cultura nordestina.
Comparado somente a si mesmo
por ser único.
Viva Sivuca
...Mas não faz mal
É tão normal ter desamor
É tão cafona sofrer dor
Que eu já nem sei
Se é meninice ou cafonice o meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão...
Cabelo de Milho
Tanta água no coco e o riacho tão seco e só
O cercado é de toco e o arado é de pedra e pó
Um cansaço na rede e uma sede de se estranhar
Sei lá...
Um olhar pra parede e uma prece pro céu chorar
Sei lá...
Se pudesse o céu chover só a metade do que chove no meu coração
Dava um lago pra beber e o chão virava neve de tanto algodão
Via o trapiá crescer e o gosto de rever moringa na janela
Tanto milho pra colher de nunca mais se ver o fundo da panela...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Imaginário
Tenho feito versos, vez por outra.
Certas noites tenho adormecido acordado
Descobrindo novas pessoas e qualidades
Que possuem sempre as mesmas inverdades
Contadas sem sombra e sem cuidado
Diante de mim mesmo tenho calado
Calado tenho assistido, o filme repetir
São cenas e contornos sempre a subir
O degrau da mesma escada não pisado
Sendo tantos e ao mesmo tempo ninguém
Tenho feito, desfeito e refeito alguém
Que na manhã seguinte não é verdade
Reinvento o inevitável mais uma vez
E perco novamente a sensatez
Criando sempre uma nova realidade
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
I am not dog no
O jornalista Márcio Canuto (TV Globo) fazia uma reportagem no Museu de Zoologia de São Paulo, quando perguntou a um menino o que ele tinha achado do dinossauro.
Como a dicção de Canuto não é das melhores, o garoto não só confundiu os bichos como se sentiu ofendido também…
Via Kibeloco.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
XÔ "FORRÓ"
Hoje como de costume em um raro momento de nostalgia coletando músicas antigas, me deparo com lembranças e sentimentos bem remotos. Relembrar os bons momentos não é tarefa das mais fáceis, sempre queremos lembrar mais do que a memória nos oferece, e por isso entendo e coloco a música como a segunda melhor invenção humana depois da roda, tendo em vista que o fogo é obra da natureza e mera descoberta. Determinadas músicas guardam momentos que nem mesmo os nossos sentidos mais apurados e bem treinados são capazes. Basta apenas aquele toque inicial seja da sanfona, do teclado ou até mesmo da guitarra no caso dos forrós, que oportunamente os reencontro agora após anos de esquecimento. Talvez esta volta ao passado, seja o inconsciente sufocado pelas composições atuais. Como eram boas as festas de Mastruz, Magníficos, Limão, Nada de Caju, e tantas outras verdadeiras bandas, que ao contrário do que você possa estar pensando não acabaram. Continuam sua saga, porem adaptadas aos aviões, saias e garotas que dizem fazer forró. É tanto danadão, safadão, pipocado, arretado e gordinho que tocam as mesmas músicas que dificilmente você identificaria a banda sem os codinomes dos seus interpretes. Diante de tamanha mudança, me pergunto onde foi que permitimos musicas de bombas nos cabarés, capins e vacas que não vão, não querem e nem podem serem sucesso? Agora eu vos digo como Job Patriota um dia retrucou, ah se o passado voltasse.
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